Ao contrário do que é a regra nas áreas onde, tradicionalmente, se borda para um mercado, o Bordado da Terra de Sousa, mal definiu, ao longo de mais de um século, um conjunto de motivos a que se possa, em rigor, considerar "típicos", no sentido em que tal perspectiva é aplicada noutros bordados, ou seja do seu fácil e imediato reconhecimento. Nesta produção a sua característica mais identificadora consiste na raridade e riqueza dos pontos empregues em muitos dos seus bordados. Infelizmente não em todos os trabalhos o que não significa que um olhar mais treinado não os distinga de outros, nomeadamente do bordado vindo do Oriente.
No contexto do processo de certificação que se pretende desenvolver, tendo em vista a promoção do Bordado da Terra de Sousa perante um público cada vez mais confrontado com sucedâneos de inferior qualidade e preço, devem os produtores do Bordado da Terra de Sousa saber acentuar e reforçar aquilo que os distingue de outros, nomeadamente a demonstração da sua versatilidade técnica sem rival no Mundo.
Neste entendimento, seleccionaram-se algumas peças, que serão descritas com algum detalhe, no sentido de se sublinharem e caracterizarem algumas dos seus elementos passíveis de se tornarem mais recorrentes na produção deste bordado e, como tal, apoiarem uma identificação que se deseja sinónimo de excelência.
No bordado que se pode observar, à esquerda, obra que pela falta de qualidade do desenho nos atrevemos a considerar produzida num contexto não profissional, encontram-se alguns dos sinais indiciadores, se outros não houvesse, de se estar em presença de uma produção da Terra de Sousa.
Repare-se na expressão que tomam os fundos bordados a nozinho. Sublinhe-se a variedade de pontos utilizados no enchimento das superfícies correspondentes às flores, os canutilhos bordados sobre ponto cheio na folha da esquerda, ao passo que a folha inferior já ostenta pesponto sobre ponto cheio, características que, em conjunto, só se encontram ao estudar a produção da Terra de Sousa.