1883/12/30
Leonardo Coimbra nasce em Borba de Godim, actual cidade da Lixa, concelho de Felgueiras.
“Ao tentar a palavra que há-de achar o caminho de vossas almas é-me levado o pensamento para recordações da minha aldeia. Ela mora encostada a uma montanha, onde costumo ir despedir-me do Sol poente. Ali, no templo do silêncio, aprendi a falar. Na hora dos humildes, quando o vento do crepúsculo leva de planta a planta o frémito do mistério, tenho sentido a eloquência do Silêncio e o valor das lágrimas. Frente a frente o Marão, doirado ainda, ergue o espinhaço gigante, a fronte concentrada e áspera. Em baixo, a aldeia formosa estende-se pela fecundidade da planície. O fumo dos lares sobe, santificando o trabalho, levando na ascensão a mais pura de todas as orações o agradecimento do ingénuo camponês à divindade oculta.”
COIMBRA, Leonardo - Cartas, conferências, discursos, entrevistas e bibliografia geral.
Lisboa: Fundação Lusíada, 1994, p.36.
“Quando, colegial numa verde cidade provinciana, saia aos domingos a passeio e acontecia atravessar as ruas da cidade, era um rumôr de asas, que, dentro em mim, se abriam ao olhar os afastados vultos femininos, recortando a luz das janelas. Eram primaveras de ignorados mundos a lançarem sôbre mim misteriosos perfumes, tépidos segrêdos, orgias inocentes, bacanais castíssimas; e o côrpo, em jeitos de alma, evocava castelos à beira-rio, jardins sôbre terraços ao crepúsculo, ânforas de água carregando pajens, brancos jasmins esparsos, todo um mundo de brandura, enlevo, afago, devoções, renovados encantos de novas harmonias.“
A Mulher era o Mistério.” A alegria a dor e a graça.
2.ª ed. Porto: Renascença Portuguesa, 1920, p. 35.
“Meu pai! Como sinto viva e presente aquela noite que juntos dormimos num quarto de hotel da pequena cidade provinciana! Era uma dessas noites de abandono em que me sentia perdido no frio e na escuridão. Meu pai apareceu inesperadamente e saímos juntos. Que intimidade, que confôrto, que protecção amiga! Deitado no braço paterno eu senti a amizade perfeita, a tranquilidade plena, o enternecimento da felicidade.”
A alegria a dor e a graça. 2.ª ed. Porto:
Renascença Portuguesa, 1920, p. 93-94.
1898 – 1903
Frequenta o curso de Ciências Físicas e Matemáticas na Universidade de Coimbra.
1907
Funda e dirige com Jaime Cortesão, Cláudio Bastos e Álvaro Pinto, a revista Nova Silva.
1909
Inscreve-se no Curso Superior de Letras de Lisboa.
1910 – 1919
Exerce a profissão de professor nos Liceu Central do Porto; no Liceu da Póvoa de Varzim
e no Liceu Gil Vicente em Lisboa.
1912
Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Teixeira de Pascoaes e Álvaro Pinto fundam
a Renascença Portuguesa. Os ideais de Renascimento foram difundidos nos artigos
das revistas A Águia e a Vida Portuguesa.
1914
Adere ao Partido Republicano.
1919 30/03 a 29/06
Ministro da Instrução Pública do 22º Governo da República chefiado
por Domingos Leite Pereira.
1919 – 1931
Lecciona na faculdade de Letras do Porto.
1922 (30/11) – 1923 (08/01)
Ministro da Instrução Pública e Ministro Interino do Trabalho do 39º Governo
da República, chefiado por António Maria da Silva.
1925
Adere à Esquerda Democrática onde não permanece muito tempo.
1935 – Natal
Converte-se ao catolicismo com a celebração do seu casamento católico e baptismo do filho.
1936/01/02
Leonardo Coimbra morre no Porto, vítima de um acidente de viação
ocorrido na Serra de Baltar.